ESTILO
Lifting facial em homens
05/07 - 08:30hrs
Preconceito entre os homens diminui e a procura pelo lifting facial para adiar os efeitos do envelhecimento é maior nos últimos anos
Da redação
Cerca de 10% das cirurgias realizadas em homens são para a realização de liftings faciais. Nas últimas duas décadas cresceu em 20% a procura por esse tipo de cirurgia entre os homens. Mais exigentes com os resultados, eles sofrem mais no pós-operatório.
Geralmente, na primeira consulta eles chegam tímidos apontando apenas um detalhe que gostariam de mudar, explica João Moraes de Prado Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Regional São Paulo, e também especialista em nariz.
“Diferente das mulheres que tem uma visão geral e estão abertas a mexer em outras partes do corpo, os homens, mais exigentes, queixam-se de defeitos específicos e se preocupam muito com o pós-operatório, onde apresentam mais intercorrências que as mulheres”, afirma o especialista.
Com o passar dos anos, perde-se gordura e a elasticidade natural, ocasionando um acúmulo de pele. O lifting facial, também conhecido como ritidoplastia, atua em alguns músculos e no excesso de pele, mas sem agredir a aparência e os traços dos pacientes.
O que eles querem mudar?
A vaidade masculina deu um grande passo nos últimos tempos e tem vencido o preconceito. De 1990 até hoje, a procura pela ritidoplastia (cirurgia da face) entre os homens aumentou em cerca de 20%.
As principais solicitações deles ficam por conta das rugas que se formam próximas aos olhos, os famosos “pés-de-galinha”, os vincos entre o nariz e a boca, também chamados de sulcos nasogeniano, popularmente conhecidos como bigode chinês, além dos vincos na região central da testa.
José Ricardo*, de 55 anos, fez ritidoplastia e cirurgia plástica nas pálpebras superiores porque não aguentava mais ouvir frases como "você está com cara de cansado" ou "você está triste?". Segundo ele, o objetivo de parecer sempre bem disposto deu certo. "Eu tinha medo de parecer uma máscara, mas gostei muito do resultado e fiquei com um semblante bem natural. Além de a cicatriz ficar escondida", conta. E o melhor, quase nada de dor no pós-operatório.
Falando em resultados, a ala masculina exige cicatrizes quase imperceptíveis. “O paciente deve estar devidamente consciente da pequena cicatriz localizada próxima à orelha e ao pé do cabelo e estar pronto para assumí-la” diz o cirurgião.
No pós-operatório, os homens estão sujeitos a uma recuperação mais delicada, apresentando mais riscos, como um possível deslocamento da derme ou sangramento, em razão da maior vascularização da pele.
Quanto à idade, não cabe ao médico indicar o início ou limite para a realização dos liftings de face, mas há características e situações que podem acelerar a procura por uma intervenção, como exposição excessiva ao sol, o cigarro, o estresse, bem como a genética de cada pessoa.
Evolução das técnicas
Antigamente os liftings eram mais agressivos e realizados com cortes mais extensos. Na década de 70, houve uma revolução nas técnicas para a realização da cirurgia da face. A pele que sofria a ação do tempo era tracionada, cortada e puxada no sentido horizontal. Com o tempo a técnica se mostrou pouco eficaz.
Hoje a cirurgia é mais racional e bem menos agressiva. O médico tem grande preocupação em manter a aparência natural do paciente, bem como suas características físicas e traços pessoais. Há a utilização da vídeoendoscopia para tracionar a região do terço superior (testa) e também a utilização de fios para fixar os músculos.
*O nome foi alterado a pedido do entrevistado.
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