ESTILO
A vida de atores pornô
01/08 - 11:54hrs
Conheça os prós e contras da rotina de homens e mulheres que ganham dinheiro fazendo sexo
Vitor Murad
O flat fica no lugar mais democrático de São Paulo: o centro da cidade. No mesmo prédio, moram os três atores de filmes pornôs Babalu, Lorena Aquino e Sandro Aquino. Os vizinhos são outras pessoas que não têm profissões, digamos, sindicalizadas. “90% dos moradores são garotas de programa, atores pornôs, travestis...”, lista Babalu. Bonitos e devertidos, abrem a porta do apartamento e contam como é a vida que levam gravando filmes de sexo.
Sem rodeios, Babalu assume que adora a profissão. “Não largo esse trabalho por nenhum outro. Só troco se for para não fazer nada”, diz ela, que não tem idéia de quantos filmes já atuou. “Posso te dizer o nome de uns 100. Mas, têm outros. É impossível dizer o número certo”. A atriz, de 23 anos, é casada com um músico, que aceita muito bem o seu trabalho. “Ele não tem ciúmes. Antigamente, até assistia alguns filmes. Hoje, prefere não ver”.
Babalu balança os cabelos pretos, que batem na cintura finíssima, e mostra seus retratos que decoram a sala. Todos de biquíni. A porta do quarto, que é todo cor-de-rosa, também é um mural e conta com algumas capas de seus filmes. “Nunca fui tímida” – e não precisava nem dizer – “Faço meus filmes (com homens e mulheres) inspirada na vida sexual que eu tenho com meu marido, que é ótima”, conta ela, que já teve uma fase que preferia namorar meninas.
“Tem gente que pensa que, por ser atriz pornô, eu transo com todo mundo. Uma vez, fui viajar com meu marido e uma turma e, de repente, percebi que os homens vieram para o meu quarto, achando que ia rolar. É ridículo isso!”, lembra.
Ela revela que dá para ganhar de R$ 10 a R$ 15 mil por mês gravando filmes de sexo. Mas diz que não é fácil. “Tem dias que eu chego em casa toda machucada, sangrando. A pior cena que já fiz foi uma de dupla penetração, com dois caras muito bem dotados: um tinha 27 cm e outro 29 cm”, lembra. “Por outro lado, às vezes, sinto prazer, lógico. Mas, não posso me desconcentrar. Senão, esqueço das câmeras e o resultado não fica bom”.
Outro problema: a família. “Não vejo meus parentes há uns quatro anos. Meu pai é muito preconceituoso e não aceita de jeito nenhum. Minha mãe, no Natal, telefona para saber se eu estou bem. E minha irmã, eu vejo de vez em quando, mas sempre nos encontramos na casa de uma amiga”.
O casal
Sandro e Lorena estão juntos há cinco anos e moram no mesmo andar que Babalu e o marido. E só gravam entre si. “Antes a gente fazia filmes com outros atores. Hoje em dia, só um com o outro. A não ser quando tem cenas de sexo a três, mas só topo se for com uma outra mulher”, conta Lorena, que admite ser muito ciumenta.
“Nesse meio não rola orgias como todo mundo pensa. Só rola para quem procura. Mas, se você quiser apenas trabalhar e ganhar seu dinheiro, não passa disso”, diz. Ela, diferente de Babalu, pensa em largar as gravações um dia. “Estou investindo em shows de strip tease”, planeja ela, que está com 24 anos. “O que eu curto nos filmes é gravar com mulheres, pois me dá prazer”, assume.
Quando saem na rua, em São Paulo, são estrelas. “Os homens gritam meu nome, querem encostar, pedir autógrafos. Muito cara é viciado em filme pornô. Em outros lugares já não é assim. As pessoas assistem, mas são preconceituosas e olham com cara feia quando reconhecem”, conta ela, dando como exemplo o Rio de Janeiro, terra natal dos três.
Sandro, 28 anos, também vai deixar o trabalho logo que puder. Assim como o marido de Babalu, ele quer investir em músicas de funk. “O preconceito é muito grande”, lamenta. “Mas, não vou mentir. É bom: faço sexo e ainda ganho grana com isso”, admite. Ele conta que os atores recebem, mais ou menos, a metade do que uma atriz.
“O cachê delas é maior, por causa da exposição, mas a dificuldade é maior para o homem, que, esteja a fim ou não, tem que ter ereção”, conta. Babalu resume: “Para a mulher é mais fácil: nosso equipamento é de abrir. O deles é de montar”, e cai na gargalhada.
Os três dizem que se preocupam com o futuro. “Nessa profissão, você tem que ter dinheiro guardado, porque não se sabe o dia de amanhã. Eu tenho consciência que um dia não terei mais esse corpo para fazer filmes”, diz Babalu.
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