ESTILO
O rei do tuning
05/08 - 14:01hrs
Batistinha fala sobre customizações inusitadas e a relação entre homens e carros
Priscilla Ralston
A origem do tuning, a customização de carros, é imprecisa. Alguns atribuem à Europa, entre 1960 e 1970. Outros apontam que a tendência de modificar automóveis nasceu nos Estados Unidos nos anos cinqüenta.
No Brasil, Fernando Baptista, o "Batistinha", piloto e designer, é referência na arte de criar carros exclusivos. Ele e uma equipe de 30 pessoas transformam em realidade os sonhos de homens e mulheres.
Criado na antiga oficina de seu pai, que restaurava carros antigos, Batistinha atualmente é dono da Batistinha Garage, localizada na Barra Funda, em São Paulo, e já participou da série "Rides", veiculada pelo Discovery Channel.
iG: Qual é o perfil dos seus clientes?
Batistinha: São pessoas que procuram carros exclusivos, personalizados. Tem gente jovem, pessoas mais velhas, empresários, artistas...
iG: Qual foi a personalização mais extravagante que já pediram?
Batistinha: O mais comum é a busca por carros antigos, pelos clássicos. É normal customizar carros famosos, como Mustang. Já um carro sem linha de expressão não é tão comum, mas às vezes aparece alguém interessado em customizar um carro inusitado.
iG: E o que seria um carro inusitado de se customizar?
Batistinha: Por exemplo, um cliente nos procurou querendo transformar um Honda S novo com um tema do Homem-Aranha. Fizemos a pintura do Homem-Aranha no capô, desenhamos linhas laterais, mexemos em lanterna, farol...
iG: Você também tem clientes mulheres?
Batistinha: Também! Eu fiz para uma senhora um Karmanguia customizado, porém com um aspecto bem plástico. O carro era preto, com teto dourado e o interior era marrom. Ela escolheu banco, volante, tipo de roda, calota e a textura do estofamento interno. Acabou ficando bem bacana. As mulheres são mais conservadoras do que os homens para modificar as coisas. Tem muito homem que às vezes passa do ponto muito fácil.
iG: Qual o carro dos seus sonhos?
Batistinha: O próximo.
iG: Você sempre tem o carro dos seus sonhos?
Batistinha: Não, é bem próximo. Tem gente que gosta de Mustang, de Ferrari, de Porsche... Eu gosto do próximo.
iG: Qual é a história do Mustang Leonor?
Batistinha: Criaram esse carro para um filme nos Estados Unidos que acabou virando um ícone no mundo inteiro. Eu reproduzi o primeiro Mustang Eleonor fora dos EUA. Esse carro é objeto de desejo em todo o mundo.
iG: Com as fortes diferenças socioeconômicas que existem no Brasil, a customização de carro é um luxo necessário?
Batistinha: A gente vive em um mundo capitalista, não tem como controlar isso. Tem muito gente almoçando em restaurante caro e gente passando fome. Então, não cabe a ninguém julgar isso. Cada um gasta o dinheiro que ganha da maneira que bem entende. A personalização de carros não é moda, é uma tendência. As próprias montadoras estão se adequando a isso, fazendo carros mais exclusivos, olhando este mercado de customização e vendo o que pode aproveitar para lançar em um carro de linha.
iG: Você acha que podemos relacionar que a customização de um carro é para os homens o que a cirurgia plástica é para as mulheres? Os homens passam pela sua Garage para se sentirem mais sexy?
Batistinha: Não sei se tem essa relação. É uma paixão e, para algumas pessoas, até uma religião. Eu já vi o caso de um cara que se separou da mulher porque começou a existir conflitos relacionados ao carro. Quem quer aproveitar o carro com a família já customiza um carro maior para poder incluir todos. Tem um jogador de futebol que mora na Alemanha e a sua paixão são os carros customizados. Ele vem pro Brasil duas vezes por ano para curtir o carro.
iG: E tem gente que customiza o carro expressamente para paquerar?
Batistinha: Assim como dizem que uma mulher se arruma para outra mulher, e não para um homem, eu acho que o homem faz o carro para outro homem olhar.
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