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Aprenda a lidar com seu chefe

07/08 - 11:45hrs

Cuidado para não confundir a amizade no ambiente de trabalho com excesso de liberdade

Vitor Murad

A palavra “chefe” dá calafrios em qualquer um, mesmo nos que se dão bem com ele. Afinal, por mais legal que o chefe seja, tem sempre um dia que ele acorda de ovo virado. E, aí, sai de baixo! E se o seu já não é dos mais docinhos, piorou. Porém, acalme-se. Convidamos dois especialistas para ajudar você melhorar essa relação. São eles: Carlos Moraes, Consultor de Carreiras e Marketing de Incentivos, e Edmar Oneda, diretor da Academia do Palestrante

O chefe amigo
De acordo com Carlos Moraes, a amizade no ambiente de trabalho jamais deve ser confundida com excesso de liberdade. “Se o superior precisar chamar a atenção do funcionário, ele o fará”. Por isso, você precisa saber separar as coisas. “Um certo grau de distância evita situações desagradáveis”.

Se ele já for seu amigo antes do emprego, sem problemas. Tente ajudá-lo com os objetivos dele, sem descuidar dos seus. Se ele se tornar seu amigo (sincero!), você terá alguém que poderá torcer por você e até te dar uma força se puder. “E sempre respeite os limites, inclusive os físicos. Não invada o espaço pessoal de seu chefe. O limite é cerca de um metro de distância”, afirma ele.

O chefe vilão
Eles podem se tornar pessoas mais fáceis de se conviver. Edmar Oneda ensina o caminho: “Os vilões precisam reconhecer que têm pontos fracos e identificá-los. Ou ele precisa reconhecer que é um vilão e que muitas vezes este comportamento é pura defesa. Feito isso, precisam entender que ao renunciar a esse comportamento não vão perder força e poder. Ao contrário: ganhará mais respeito”.

Discordar concordando
Com todos os tipos de chefe é preciso sempre manter a cordialidade. Carlos ensina um truque. “Na hora de argumentar, comece (sempre!) com a frase: ‘eu concordo plenamente com você, mas...’. Jamais bata de frente com ele. Deixe-o achar que está certo”. O consultor explica que, goste ou não, ordem é para ser cumprida. “Mas, se você tem um outro ponto de vista que pode atingir o mesmo objetivo, apresente uma proposta”

Depois da tempestade...
Se houver um desentendimento, nada melhor do que uma boa noite de sono entre duas jornadas de trabalho. “Não tente acabar com nenhum climão na hora, vai piorar. Mas, não deixe passar de três dias! Oferecer um sorriso e um cafezinho é uma boa dica”, ensina Carlos.

Happy hour
Não é obrigatório ir aos encontros depois do expediente, mas é bom. “Se você estiver com o espírito para a coisa, vá, sim. Mas, se for para ir com cara de TPM, dê uma desculpa e vá para casa”, diz Carlos. “Lembre-se que, em um happy hour, o horário social acaba na primeira hora. Daí por diante, aconteça o que acontecer, agüente as conseqüências. Ninguém pode culpar o colega de trabalho ou o superior por mais nada depois que de uns drinks”. Em outros eventos, como o aniversário do chefe, casamento da filha dele, churrasco no domingão vale a mesma dica.

Quando os santos não batem
Se seu chefe não vai com a sua cara, procure mudar os parâmetros dele. “Tente fazê-lo enxergar o quanto você é sincero, leal e está disposto a ajudá-lo. Se, ao contrário, você que não se dá com o patrão, procure mudar sua ótica sobre ele”, diz Carlos, que define as regras básicas para não ter problemas com o chefe: respeito, lealdade, interatividade, altruísmo e educação. Edmar completa dizendo: “A boa notícia é que ninguém é sempre vilão. Todos têm um lado sensível. E, para se dar bem com ele, ajude-o nas tarefas que ele tem deficiência, sem que ele perceba”.

O bonzão e o coitadinho
Cuidado com o seu perfil, para não passar má impressão para a chefia. “Algumas pessoas gostam de estar no papel de vítimas, pois recebem mais atenção e parecem mais simpáticas. Outros gostam do papel de herói, para serem admirados. O herói, em geral, é o funcionário que age como um pacificador. Mas, ao agir assim, reforçam o lado negativo dos outros”, diz Edmar que explica que o principal mandamento é nunca agir na defensiva.

As pessoas não mudam
É comum as pessoas tentarem mudar o chefe. E um erro. “Em primeiro lugar, você não tem poder para mudar seu chefe (aliás, para mudar ninguém). O você pode fazer, apenas, é apoiar e estimular mudanças”, lembra Edmar. “Tenha consciência de que você está em desvantagem nessa relação. O chefe tem poder sobre os subordinados. E cutucar a onça com vara curta pode ser fatal”.

Que tal você mudar?
Se a relação não é boa e você está insatisfeito, talvez, seja a hora de repensar a sua carreira e considerar que, nesta empresa, você não tem mais nada a fazer. “Se a conclusão for essa, iniciar um plano de retirada pode ser a melhor idéia. Mas, cuidado para não assumir sempre o papel de vítima, o perseguido pelos chefes, isso vai te prejudicar nas relações profissionais e em toda a vida”, conclui Edmar.


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