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Os carecas têm seu charme

18/11 - 11:40hrs

Homens contam como aprenderam a conviver bem com a calvície e conheça os tratamentos disponíveis

Vladimir Maluf

Acordo Ortográfico

Para confirmar o título dessa matéria, mais de 9 mil defensores dos carecas se reúnem em uma comunidade na internet. E não são apenas homens, não. Há um bom número de mulheres que apostam no charme de uma cabeça lustrosa. E eles já descobriram isso e se animaram ao perceber que o problema pode não ser tão aterrorizante quanto parece.

O cineasta Thiago Paiva, de 25 anos, assume numa boa a ausência dos fios. “Eu tenho umas entradonas. Vou ficar careca. Então, eu já raspo tudo para me acostumar com o visual e ir acostumando as pessoas também”, diz ele, que começou a perder as madeixas por volta dos 18 anos.

Mas ele não reclama. “Não acho isso nem um pouco ruim. Sempre raspei a cabeça mesmo. Quando percebi que ficaria careca bem cedo eu aderi a esse novo corte de cabelo e nunca mais deixei crescer. Eu acho um charme, acho prático e não ligo a mínima”.

Encare a careca!

Os fios começaram a abandonar Vinicius Landi aos 27 anos. Hoje, com 32, ele raspa a cabeça completamente e não se importa. “Quando começou a cair, eu relaxei e comecei a raspar. Passo máquina zero ou barbeador mesmo. Curto esse estilo”, afirma.

“Acho que mesmo que eu tivesse todo o cabelo usaria assim”, garante. E diz que a velha canção é verdadeira: “com certeza, é dos carecas que elas gostam mais. As mulheres adoram. Ontem mesmo eu saí com uma. Minhas três ex-namoradas também gostavam. Uma delas adorava raspar minha cabeça no banho”.

De herança, Thiago Gomes de Azevedo ganhou a calvície. Mesmo com apenas 22 anos, o designer gráfico já tem entradas bem profundas. “Até pouco tempo, eu tinha vergonha. Então, decidi raspar”. E ele acabou gostando do visual novo e perdeu o complexo. “Acho que fico bem sem cabelo. Ainda bem que não tenho orelhas grandes”, brinca.

E os resultados vieram logo. “Arrumei uma namorada por causa da careca! Interessei-me por uma menina em um bar. Acabamos ficando e ela disse que estava de olho em mim desde o começo da noite, pois adorava carecas”.

Marcello de Menezes Arcos lembra-se do passado. “Eu era loiraço e cabeludo. E comecei a perder o cabelo. Meu pai queria que eu fizesse tratamento, mas minha estratégia foi outra: raspei”. Para ele, o visual além de bonito causa boa impressão. “Acho que sendo careca, no trabalho, passo uma imagem de seriedade e à noite dá um visual fashion”, diz o advogado de 29 anos.

Aprenda a lidar com isso

Claro que no início ninguém fica animadíssimo. “Meu cabelo era bonito. E, aos 29 anos, como num passe de mágicas, eles começaram a desaparecer. Levei algum tempo para acreditar na tragédia”, lembra o repórter fotográfico Maurício Burim, de 35 anos, o “único premiado” entre os três irmãos.

Para disfarçar, ele tentou alguns penteados. “Eu tive o inútil intuito de disfarçar a área ‘desmatada’, até que um dia, depois de uma ventania, ao ver meu reflexo na porta de entrada da balada, levei um susto. Eu pensei 'chega de ser ridículo!' Voltei para casa e no outro dia raspei tudo. Zero! E aí nasceu um outro homem, mais confiante”. Aos desesperados, Maurício manda um recado: “Companheiros, existe vida após a careca”

Para quem não gosta...

Segundo o dermatologista Valcinir Bedin, especializado em calvície, o principal é ter um diagnóstico correto. “Depois disso, existe uma sequência de tratamentos. Primeiro os tópicos [para passar no couro cabeludo], depois os orais, a seguir os injetáveis”. A última saída é o transplante, mas se você não quer recorrer a essa, veja algumas opções que vários especialistas apresentaram:

Prótese capilar (ou peruca)

“Essa prótese é indicada para pessoas que não têm fios com centímetros suficientes para fazer um alongamento”, explica o especialista Glecciano Luz. “Os cabelos são implantados fio a fio em uma película especial. O resultado é imperceptível, inclusive ao toque”, garante ele. Uma dessas próteses custa a partir de R$ 600.

Corte, produtos e barba

Para os que acham que não dá para encarar a primeira opção, pode tentar disfarçar um pouco com o corte de cabelo. Mas não tem muito o que inventar. Kenya Castro, que é hairstylist do salão carioca Éclat, diz que o ideal é não fazer cortes repicados. “O cabelo precisa ser cortado reto, sem marcar as laterais”. 

Kenya dá outras duas dicas: “Os homens podem procurar produtos que contribuam para a dilatação dos poros”. E, assim, estimular o crescimento dos fios. “Eles também podem deixar crescer a barba ou o cavanhaque. Disfarça e dá estilo aos que assumem a careca”, indica.

Ajuda de remédios

A calvície ocorre pela ação de uma enzima chamada “Cinco alfa redutase”, de acordo com a dermatologista de São Paulo Christiana Moron. “A Finasterida é uma substância que inibe especificamente a ação dessa enzima, interrompendo o processo de diminuição da espessura do folículo piloso, podendo cessar e até reverter o processo, especialmente nas fases iniciais, ou agudas, nas quais a queda de cabelo é intensa”.

Mas atenção: o tratamento deve ter acompanhamento médico. A dermatologista Edislene Valbão, de Santa Catarina, afirma que esse tratamento é eficaz. “Melhora até 60% do quadro se o problema estiver no início e ajuda a manter os fios”.

Valcinir Bedin dá outro exemplo: “além dos complexos vitamínicos a novidade é o Exsynutriment, que é um silício orgânico, de origem marítima, com bons resultados. Substituto à Finasterida há a Serenoa Repesn, que tem a mesma função”.

Novo remédio a caminho

João Carlos Pereira, de São José do Rio Preto, membro da Membro da International Society Hair Restoration afirma que, além da Finasterida, uma nova substância está chegando ao mercado: a Dutasterida. Contudo, ela ainda não foi aprovada para o tratamento da calvície e é preciso esperar o aval da Anvisa. “Esse medicamento tem as mesmas características que o outro remédio, a diferença é que ele age sobre dois tipos de causadores enquanto a Finasterisda age somente sobre um”, diz.

Medicamentos tópicos

São aqueles que você usa no couro cabeludo, ao invés de ingeri-los. “Existe o Minoxidil e o Laser de diodo. Esse laser é portátil e deve ser utilizado 3 vezes por semana, por 15 minutos, durante um período mínimo de 4 meses”, explica a dermatologista Christiana.

Assim como a Finasterida, esse tratamento funciona se o couro cabeludo ainda não estiver com aspecto brilhante. Valcinir cita outros medicamentos dessa linha. “Há o Avicis e o Pilexil, que é um fitoterápico que melhora a vascularização do couro cabeludo”.

Ele também fala sobre os xampus e loções especiais, mas esclarece que eles não evitam a queda ou a reverte. “São coadjuvantes. Eles podem conter elementos ativos que ajudam a parar a queda e estimular o crescimento dos cabelos”, acrescenta ele.

Tratamentos injetáveis

Os injetáveis podem ser associados ao tratamento oral.” Injeta-se no couro cabeludo as mesmas medicações que se toma por boca. Mas não substitui o oral. Complementa. São auxiliares antiinflamatórios, mas não tem poder isoladamente”, diz Valcinir Bedin.


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