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Como pedir um aumento de salário

15/01 - 11:29hrs

Especialistas listam os argumentos certos e errados e qual é a melhor hora para pedir um aumento ao seu chefe

Vladimir Maluf

Quem não acha que merece um aumento? Mas conseguir não é nada fácil. O primeiro passo é merecer um reajuste. E provar que merece! Luiza Ghisi, consultora de carreira, diz que para uma pessoa pedir aumento, ela tem que estar certa de que seu currículo e competências se ampliaram para o negócio.

“Ele deve ter aprendido algo que cause impacto nos resultados da empresa: um novo idioma, participação em reuniões, um curso de especialização, MBA, mestrado ou doutorado, com aplicações práticas às tarefas atuais ou possa vir assumir”, explica ela.

E não precisa ter medo. “Para ter seu passe valorizado, você pode e deve pedir um aumento. Mas, se você não melhorou suas habilidades em nada, não há justificativa para ter acréscimos salariais”, informa ela que mostra outra ocasião ideal para uma negociação. “Quando você assume mais uma área de atuação, além das que já vinha assumindo, com mais responsabilidades, não apenas mais tarefas”.

A hora certa!

Quando a empresa passa por um bom momento em seus negócios, os resultados estão satisfatórios e o trabalho do profissional é eficaz, é uma boa hora de tentar renegociar seus vencimentos, explica o especialista em carreira Luiz Fernando Braga. “Seus prazos têm que estar sendo cumpridos, a qualidade do trabalho entregue deve superar as expectativas, o relacionamento com os colegas está adequado e tem surgido vários elogios positivos sobre você”, diz ele.

Se depois de uma boa conversa, a empresa disser que não tem condições de lhe dar um aumento, não deixe que o assunto morra ali. “Pergunte ao seu superior se esta negociação é viável e de interesse para a empresa e quando vocês podem voltar a conversar sobre o assunto. Dependendo do caso, você pode questionar o que está faltando em termos de desempenho para fazer jus a este aumento”.

Luiz Fernando afirma que não há uma regra de tempo, mas, a cada 1 ano ou 1 ano e meio é possível tentar negociar um reajuste. Porém, isso exigirá mais empenho. “A regra é entregar, cumprir prazos estabelecidos, focar no que o cliente quer e precisa, ter disponibilidade para o trabalho, energia, alegria, superação constante, paixão pelo que faz...”.

Peça, mas da maneira certa

Dizer que você tem uma outra proposta de emprego não é uma boa tática. “Quando falamos de transparência, integridade, caráter, este tipo de atitude não me agrada – não é digna de um profissional de excelência – além de poder ser um tiro no pé. Eu não recomendo esta prática – prefiro a do desempenho superior, dos resultados inquestionáveis, da superação contínua e da reciprocidade de tudo isso através da remuneração”, aconselha Luiz Fernando Braga. O que você pode fazer é procurar uma nova colocação se você está insatisfeito com o que tem. “Isso, sim, é muito natural”.

O gerente de pesquisa salarial da Catho, Mário Fagundes, afirma que uma das primeiras dicas para ganhar mais é manter um marketing pessoal eficiente. “O funcionário deve demonstrar disposição e competência para assumir novas responsabilidades, apresentar um trabalho de qualidade e colaborar de forma positiva com a equipe. Procure desenvolver-se para estar sempre preparado”, reitera ele.

Argumentos eficientes

- Tenha dados sobre a sua empresa, aconselha Mário. “Faturamento, crescimento de vendas, dados de produção e produtividade, cultura. Procure conhecer quais são as políticas, normas ou procedimentos existentes na sua empresa, tais como plano de cargos, salários e carreira”.

- Outro conselho de Mário é estar por dentro do mercado. “Procure informações, pesquise  em jornais ou na internet as médias salariais para seu cargo em empresas da mesma região, porte e ramo de atividade”.

- Depois de estar munido de boas informações, o próximo passo é a negociação. “Conquiste seu chefe, mostre disposição e entusiasmo durante a negociação e não desista na primeira negativa”, aconselha o especialista. “Se o aumento não for concedido, tente vantagens que valham dinheiro tais como: carro da empresa, plano de saúde e seguro diferenciado, cursos e participação nos gastos com educação pessoal e dos filhos”.

- Lembre-se de ter uma conversa amigável. “Aceite as razões do seu chefe. Não encare esta conversa como uma batalha, mas como uma forma de atingir ou renovar suas metas”, diz o consultor da Catho.

- Depois de avaliar um aumento justo, arrisque-se sugerindo um pouco mais. “Peça um aumento um pouco superior ao que realmente pretende. Na negociação, você pode perder um pouco e ainda assim sair com o que queria”, aconselha Mário. Luiz Fernando dá mais uma dica: “Não exagere. E mencione o valor com confiança”.

Argumentos falhos

Algumas coisas não são motivos para você querer aumento, de acordo com Luiza. “As empresas não tem nada a ver com as coisas que estão dentro do seu universo de decisão, de vida pessoal”. E ela faz uma lista de exemplos que você jamais deve usar:

- Meu custo de vida aumentou
- Não tenho aumento desde o ano passado
- Me separei e tenho que dar pensão para minha ex-mulher e filhos
- Comprei um carro ou apartamento e as prestações estão altas
- Quero fazer um curso e preciso ganhar mais

E há outro comportamento que Luiza condena: “Existe um contrato de trabalho com deveres a cumprir, portanto não adianta pedir aumento de salário com alegações que estão dentro das suas obrigações”. Por exemplo:

- Chego sempre no horário
- Nunca falto
- Faço tudo o que me mandam ou pedem
- Cumpro com minhas responsabilidades


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