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Bob Burnquist: "tenho a vida que eu pedi a Deus"

20/06 - 08:15hrs

Assim o skatista Bob Burnquist define sua profissão. Conheça a radical rotina desse atleta

Vladimir Maluf

Para conversar com o iG, o skatista Bob Burnquist teve que descolar um tempinho entre uma viagem e outra. E fez isso lá do aeroporto de Dallas para contar aos leitores como é a rotina de um esportista radical, viajando pelo mundo e, claro, lidando com umas partes do corpo quebradas de vez em quando...

iG: Como é ganhar a vida praticando seu esporte favorito?

Bob: Essa foi a vida que pedi a Deus. Apesar da dificuldade de estar viajando e ficar longe da minha família, eu realmente não posso reclamar. O skate é uma atividade bastante física e o corpo precisa de um descanso às vezes, mas a saúde agradece toda essa atividade. Fico feliz de continuar aprendendo manobras novas como se tivesse começado a andar de skate ontem. Esse sentimento não tem igual.

iG: Você já se machucou muito ao longo desses anos?

Bob: Já tive muitas fraturas e torções, mas isso faz parte do que eu faço. Somos seres humanos e o corpo é de carne e osso. A chave de tudo isso é se manter forte e saudável, se alongando, se exercitando, se alimentando bem, para poder se recuperar o mais rápido possível depois de uma lesão. Aprender a cair também é fundamental.

iG: Viajar muito é bom ou é cansativo?

Bob: Neste momento, eu estou pegando um voo de Dallas para San Diego. Estava em uma turnê com a Hurley [um dos patrocinadores] pelo Texas e fizemos uma parada rápida em Raleigh, na Carolina do Norte, no último dia da turnê.  Pegamos um voo de Dallas para Raleigh de duas horas e meia. Alugamos um carro e dirigimos mais 3 horas. Fizemos uma apresentação de uma hora, demos autógrafos e entramos no carro de novo para mais três horas de volta para o aeroporto e duas horas e meia de voo até Dallas. Tudo isso para, no máximo, duas horas de skate, no outro lado dos EUA. Agora estou a duas horas de casa. Não vejo a hora de ver minha esposa, minhas filhas e descansar um pouco. Mas também não vejo a hora de andar de skate de novo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 






iG: Como começar a trabalhar nessa área?

Bob: Eu não trabalho [risos]. Quando se ama o que faz, difícil reconhecer como trabalho. Mas nem tudo é felicidade. De maneira geral, o skate profissional necessita de bastante comunicação com patrocinadores, com oportunidades novas. Projetos e desafios diferentes e totalmente criativos. Estou sempre tentando crescer de algum modo em cima do meu skate. Mantendo minha imagem sempre presente com material de qualidade. Obviamente, isso não é fácil fazer e vivo numa constante pressão.

iG: Como é a experiência de trabalhar e viver fora do Brasil?

Bob: Amo o Brasil e tento estar presente sempre que possível, mas as oportunidades estão em todo lugar e o skate está com bastante evidência no cenário internacional. Por isso, tenho que encarar onde estou como base. Mas, sinceramente, sem minha esposa Verônica e minhas filhas por perto, eu enlouqueceria de tanta saudade. Eu dou graças a Deus que ela sacrificou o Brasil querido e está comigo aqui em San Diego.

iG: É muito mais vantajoso morar fora?

Bob: A Califórnia é o epicentro do skate. Estar presente por aqui carrega grandes vantagens profissionais para mim. Pude construir um parque de diversões do skate no quintal da minha casa e os meus patrocinadores estão todos relativamente perto. As dificuldades são distância e cultura diferente. Apesar de eu ter nascido e criado no Brasil, também sou americano, então, tenho uma certa tranquilidade com o lugar. A adaptação para a minha esposa é parte do nosso desafio. Eu a amo por fazer a escolha de estar ao meu lado, mesmo com a doideira e as dificuldades.





 

 

 

 

 






iG: As mulheres americanas e européias são muito diferentes das brasileiras?

Bob: Eu conheço minha Musa Brasileira, a minha esposa Verônica , e ela é minha vida. Ela dá de 100 a 0 em qualquer outra mulher, de qualquer outro lugar do mundo. A minha Veronica tem o samba no pé e eu no coração. Sem falsidade e sem pretensão.

iG: Você se imagina exercendo alguma profissão que não seja a sua?

Bob: Para quê?


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