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Apaixonados por Fusca

04/10 - 08:30hrs

Conheça algumas pessoas que têm, em comum, a paixão por esse ícone da indústria automobilística

Michelle Vargas

Käfer, Coccinelle, Escarabajo, Maggiolino, Fusca, Beetle, Carocha, Bug, Huevito, Dak Dak... São muitos os nomes do modelo mais famoso da Volkswagen. Esse ícone da indústria automobilística foi lançado oficialmente em 1935 pelo então projetista Ferdinand Porsche. 

O Volkswagen Sedan podia ser comprado por quase todos e era equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de seis volts e câmbio seco de quatro marchas, sendo que até então só se fabricavam carros com caixa de câmbio inferiores a três marchas.


Em quase 80 anos, sua aparência permaneceu praticamente a mesma, mudando as características técnicas. Na década de 60, passou a ser fabricado no Brasil e quase toda família teve um, motivo pelo qual desperta nostalgia e paixão nos seus proprietários.

Airton Germano, gestor financeiro, tem um amor por Fuscas que está ligado à sua infância. “Vim de uma família pobre e o primeiro filme que assisti foi ‘Herbie, Se Meu Fusca Falasse’. A partir daí, quis ter um Fusca”. Hoje, aos 46 anos, Airton tem três modelos do carro: um 1967, um 1968 e outro 1980. Contudo, o seu xodó é o 68, que ele transformou em uma réplica do Herbie, o carro do filme.

”Quando meu pai faleceu, entrei na internet à procura de um Fusca em bom estado para comprar e encontrei um em Jundiaí. Era um modelo branco e comecei a garimpar peças para restaurá-lo. Hoje, ele é 80%original. Depois me associei ao Clube do Fusca e coloquei placa preta nele, que só colecionador possui”, orgulha-se.

O gestor financeiro conta que, apesar de possuir outros dois modelos, ele queria mesmo um Herbie. “Coincidentemente, quando consegui adesivar todo o meu carro, o Clube do Fusca recebeu um patrocínio por conta do relançamento do filme e ele foi parar em várias exposições”. Airton conta que o maior custo que teve foi para restaurar os automóveis. “Como eles são bem conservados, só gasto mesmo com combustível e revisões semestrais”, afirma. Ele revela que dirige os Fuscas normalmente para se locomover por São Paulo.

“Eu não sei explicar de onde vem essa minha simpatia por Fuscas... É verdade que todo mundo da família teve pelo menos um na década de 70 e eu sempre achei o Fusca uma graça. Quando eu estava aprendendo a dirigir, pegava um Fusquinha que tinha na casa do meu avô e eu gostava tanto de dirigir o carro que resolvi que, um dia, teria um”, diz Roberta Carusi, publicitária.











O mesmo sentimento é dividido pelo jornalista Marco Guerreiro. “Aprendi a dirigir em 1995, com um Fuscão 74 que meu pai tinha e dizia que era o mais fácil de guiar. Quando cresci, quis ter um por pura nostalgia e meu sogro, que também é apaixonado por carros antigos, meu deu de presente”, afirma.

Marco chamou o carrinho que aprendeu a dirigir de “Fuscão” não foi à toa... Em 1970, a versão de 1300 cilindradas passou a ter 1500, ganhando o apelido de Fuscão por apresentar maior potência, transformando-se em um ícone da década. E se dependesse dele, Marco teria vários... “O problema é ter dinheiro e garagem para lidar com essas preciosidades. São estilosos, lindos, mas a manutenção não é tão barata como todo mundo acha.”

O cabelereiro e proprietário do Salão L'Autre Femme, Ricardo Cassolari, tem dois Fuscas e diz que pretende comprar outros. “O Fusca me traz lembranças do passado, me lembra minha adolescência”, diz, enquanto espera um de seus carros voltar da oficina.

Apesar da paixão e do baixo preço para comprar um modelo, não é fácil manter um carro desses com uma bela aparência. Roberta trocou o estofamento pelo couro original e arrumou outras partes que estavam destruídas. “Mas ele está longe de ser placa preta e eu não tenho esse objetivo”, afirma a publicitária.


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