ESTILO
"Já fui xavecado por outro homem"
31/10 - 09:02hrs
Por que é tão difícil para o heterossexual receber a investida de um gay?
Vladimir Maluf
Quem está livre de encher os olhos de alguém, mesmo que esse alguém seja do mesmo sexo? A resposta é simples: ninguém! Alguns homens acham desconcertante serem paqueados por outros homens, outros ficam ofendidos, mas difícil vai ser encontrar algum que goste. Rodrigo*, 32 anos, não gosta nada e, mesmo assim, reclama que parece fazer sucesso entre os homossexuais.
“Acho que eles gostam por eu ser meio brutamonte”, diz. Mas ele não responde às investidas com violência, apenas é firme ao dizer que não é a praia dele. “Não tenho preconceitos, cada um na sua. É exatamente por isso que não vou a baladas gays, porque não estou a fim de ficar explicando”. Aliás, ele nem vê motivos para ir numa casa desse tipo. “Para mim, os caras que vão estão procurando sarna para se coçar”.
Robson Torres, 29 anos, discorda de Rodrigo. “Tem muita balada boa que é mista: tem homossexuais, bissexuais e heterossexuais. Eu já fui abordado várias vezes e levo na boa, mas falo logo que não sou gay”, conta. “O que me irrita é que tem cara que acha que vai te convencer a experimentar, aí eu engrosso e mando logo sair andando".
A namorada do empresário Miro Santana, de 32 anos, tem muitos amigos gays e, por isso, ele já foi várias vezes a boates do gênero. “No começo, eu grudava nela e olhava com cara feia se eu percebesse que estava sendo encarado”. Mas, quando foi xavecado, simplesmente explicou que era hetero. “Nunca tive problemas, sempre fui respeitado. Mas todas as vezes que fui a essas baladas, estava acompanhado da minha namorada”.
Por que os homens se ofendem?
A psicanalista Elizandra Souza explica que a dificuldade que os homens sentem em aceitar uma cantada masculina pode ser originada por vários motivos. “O primeiro deles é que os homens podem se sentir ofendidos, pois ao serem cantados, ele acha que o homossexual está colocando em dúvida a sua masculinidade”, afirma. “Ele pensa que pode estar fazendo algo que o faça parecer gay, não consegue imaginar que foi paquerado apenas por ser bonito ou interessante. Isso causa muita insegurança".
No caso dos homofóbicos – aqueles que não suportam o contato com um gay –, Elizandra reforça a velha máxima de que quem tem aversão demais pode estar com medo de um desejo oculto. “Na psicanálise, isso é chamado de ‘formação reativa’, que é um mecanismo de defesa. A pessoa tem repulsa àquilo que está no desejo inconsciente (e o que está no inconsciente a pessoa não sabe)”.
Mas, claro, a educação muito moralista também pode causar esse sentimento, tanto em homens quanto em mulheres. Outro exemplo que Elizandra dá é o de homens que não têm preconceito, porém, sentem receio do que os outros homens vão achar. “Alguns têm medo de que os amigos pensem que, se ele tem contato com gays, deve ser homossexual também".
De forma geral, a psicanalista diz que não é saudável reagir com agressividade a uma cantada. E ser preconceituoso, cada vez mais, faz mal à sua imagem, mesmo perante os que não são gays. “É perfeitamente possível levar na esportiva e dizer que não é homossexual, respeitosamente. O fato de ser paquerado não é para ser uma ofensa, pode ser levado como uma coisa boa, não há necessidade de se irritar".
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